Sem Chão


Eu preferiria levar um soco na cara ao ver ele virando as costas para mim, com as malas mal feitas nas costas e o rosto vermelho de ódio. Isso doeu mais que uma faca arranhando meu corpo. Eu achava melhor ele ficar e me xingar, me ofender como se eu fosse um lixo (como se eu fosse?).

Quem mandou se engraçar com o tio dele? Quem mandou trocar mensagens quentes com aquele amigo gato dele? Quem mandou achar que ele jamais descobriria, sendo que mentira nenhuma morre sem ser descoberta... Fui imprudente. Eu não o mereço.

Quando o vi pegando as malas e indo embora sem mais ouvir minha voz e me olhar com olhos de amor, meu mundo desabou.
“Até que a morte nos separe! Lembra? Foi isso que você me prometeu naquela igreja diante de Deus!”

Eu costumava ir à igreja com ele todos os finais de semana, foi lá que nos conhecemos. Casei virgem, mas quando descobri o quão o prazer pode mexer com a gente, simplesmente não pude mais domar meu corpo. Esqueci das orações e das promessas que fiz para Deus, para mim e para o meu marido, o qual tive que ver indo embora da minha vida.
Que desespero, não sabia o que fazer...
Mas com uma semana, ele voltou. Chorando, me pedindo fidelidade. É obvio que prometi a tal fidelidade, mesmo sabendo que seria impossível, que embaixo de minha longa saia, havia a vontade de me aventurar com o proibido. Se aquele véu que eu usava na igreja transparecesse a cor de minha alma, não mais seria branco.

“Eu não vou mais te trair, eu prometo. Vamos voltar para a igreja!”
Tentei muito, juro, mesmo que agora seja difícil de acreditar. Mas quando houve a oportunidade, novamente desfiz dos meus compromissos emocionais, fugi da rotina de casa, voltei ir à igreja usando uma máscara a qual provavelmente não funcionava com Deus, mas usei, fingindo que ninguém pudesse ver minha verdadeira face.

E meu marido novamente está feliz, acreditando que sou só dele, que não mais o traio, que não mais me divide com outras pessoas.
Só espero que não vire as costas para mim novamente, porque apesar de tudo, não quero morrer só.

- Juliane França.

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