A Maquiagem da Violência


- Carla, conta como foram esses últimos 10 anos? (Sentada na cama)
- Claro... (Prende o cabelo e também se senta)

Foi um pesadelo...
Precisava carregar meu rosto de maquiagem, pois se alguém percebesse o roxo, eu poderia morrer. Ele ia me matar.
Não sei como, mas ele sempre sabia de todos os meus passos. Quando chegava em casa, ele narrava todo o meu dia em tom sarcástico.
Ficava assustada, já procurei câmeras em mim, na minha bolsa... Mas nunca encontrei.
Apanhei de novo, não deveria ter parado para cumprimentar a dona Sônia. Mais maquiagem.

Não sabia o que fazer. Se ficasse, apanhava, se fugisse, morreria.
Certo dia, decidi fugir. Chega de dor, chega de maquiagem pra disfarçar. Chega!
Eram 3 da manhã, aproveitei que ele tinha sono pesado e fugi, peguei a carteira dele e sai sem rumo, para o mais longe possível. Eu não tinha muito dinheiro, só fazia encomendas de bolos para as vizinhas, ganhava uns trocados os quais usava para comprar base para o rosto. Felizmente, a carteira dele tinha um bom dinheiro.

Nunca corri tanto na vida, chorei no caminho, mas não ousei parar para secar as lágrimas, cheguei na rodoviária, o dia estava amanhecendo mas não sabia que horas eram. Peguei o primeiro ônibus que estava para sair.
Finalmente , estava bem longe dele.
Estava feliz, mesmo cansada e com rosto inchado. Ele nunca não me encontrou.
Liguei pra minha mãe do orelhão e pedi ajuda, dentro de 2 horas ela veio me encontrar, chorando e balançando a cabeça que não, me abraçou forte.
"Me escuta da próxima vez, Carla! Ele ia te matar!"
Não consegui falar nada, só quis ir para casa.

Salva de um cárcere privado.
Tomei um banho revigorador e comi como um animal faminto.
Em duas semanas, me olhei no espelho e sorri feliz por estar de cara limpa, sem precisar de maquiagem.
Era outra pessoa!
Hoje, só tenho a agradecer!

- Caramba, Carla! Você é uma guerreira!
- Sou uma sortuda, isso sim.
(Carteiro chamando)
Carla: Vou lá ver o que é, já volto.

O carteiro pede para Carla assinar, é encomenda para ela.

- É pra mim, o que será? (Volta e senta na cama)
- Abre aí!
...
- Meu Deus, não acredito... Ele me achou (Aos prantos, tirando o kit de maquiagem da caixa).

- Juliane França.

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