Toda bonitinha
Fazendo o que a sociedade quer
Prendada, quietinha
Exemplo original de "mulher"
Tereza, vive presa
Mas depois faça a proeza
De acordar do transe
Pule, cante
Corre, vai viver
Antes que as más linguás te alcancem
Sai daí, eu quero ver
Quero ver você sair dessa prisão
Ontem vi sangrando tua mão
Faça amizade com o Bruno, com a Cássia
Eles te viram indo à farmácia
Com o olho roxo
Chega desse sorriso falso e frouxo
E vá viver
Vá viver, Tereza!
Antes que o mundo acabe
E você morra presa
Vá sorrir, Tereza!
Antes que esse homem te mate
E lhe tire sua maior riqueza
- Juliane França.
Home
poesia
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Desde o início
Vivemos seguindo regras.
Não pode comer sorvete antes de almoçar!
Não pode brincar na rua!
Antes da calça nova, use essa até sujar!
Não pode dormir na casa da amiga!
Não pode conversar!
Pode conversar!
Não pode namorar!
Agora pode!
Namora antes que fique pra titia!
Tá na hora de casar...
Mas não pode engravidar, tem que estudar!
Cadê o filho que não vem?
Agora faltava uma menina!
Não pode enxer de filho!
Precisa usar uniforme no serviço!
Pode ir com a roupa que quiser!
Só tem essa roupa?
Não pode conversar muito!
Mas não pode ser tão calada.
Precisa ter estilo!
Precisa juntar dinheiro!
Precisa se aposentar!
Precisa tomar os remédios regularmente!
Você não quer que eu lave aí, né?
Tá velha mas não tá morta!
Morreu... Mas era boa pessoa.
Saia do padrão
Porque a vida é curta demais
Para seguir regras.
- Juliane França
Ternos, saltos e sociais
E eu com meu tênis sem marca
Meu jeans surrado e a regata de dez reais
Cochichos, risadas, olhos tortos
Eu feliz, curtindo uma música
Eles meio mortos
Jóias, banheiras de hidromassagem
Fedor de dinheiro
Só tenho uns vinte na bagagem
A moça ali não me atende
Minha regata tá meio rasgada
Mas eu também sou gente!
"Quanto tá essa colar?"
"Não está na promoção, moça."
"Nem o preço vai me informar?"
Cocô de peixe, lesma
Sou mais meu bife com fritas
E o churrasco de sexta
Esse povo me faz rir
Aqui veste social
Mas a casa falta cair
Pelo egoísmo pessoal
E os amigos? O amigo é o capital
Nego, na moral
Dinheiro não cria deus
Dinheiro não faz subir degrau
Em cima dos irmãos teus
Que não vivem por bem material
- Juliane França
Davi, rapaz jeitoso de nome bonito
Era um tanto seletivo com suas parceiras...
Fernanda era muito simpática e extrovertida
Mas não tinha altura o suficiente para beijá-lo sem ficar na ponta dos pés
Fernanda era "baixa demais".
Bárbara tinha o sorriso dos sonhos e uma voz gostosa
Mas estava acima do peso estabelecido pelas revistas
Bárbara era "gordinha".
Jéssica nunca deixou faltar carinho e atenção
Mas não tinha as coxas grossas e o famoso "bumbum na nuca"
Jéssica era "pele e ossos".
Lilian tinha os cabelos mais lindos e brilhosos
Mas as unhas eram roídas, um vício desde a infância
Lilian tinha as "mãos feias"
Vanessa, sua última namorada
Era baixinha, da cintura pra cima era gordinha
Da cintura pra baixo era magrinha e tinha as unhas roídas
Mas foi por ela que Davi se apaixonou
Davi... Era mesmo um homem lindo
Tinha os olhos pretos e cabelos castanhos
Altura boa e corpo escultural
Mas tinha mau cheiro por debaixo das axilas
E um reflexo fantasioso de si mesmo
Davi vivia num mundo cheio de ilusões
Davi ficou sozinho
E como sua última solução, comprou uma boneca
Daquelas, adultas...
Olhos grandes, boca vermelha e corpo impossivelmente perfeito
Davi gostava de mulheres, mulheres que não existem.
- Juliane França
Jéssica nunca deixou faltar carinho e atenção
Mas não tinha as coxas grossas e o famoso "bumbum na nuca"
Jéssica era "pele e ossos".
Lilian tinha os cabelos mais lindos e brilhosos
Mas as unhas eram roídas, um vício desde a infância
Lilian tinha as "mãos feias"
Vanessa, sua última namorada
Era baixinha, da cintura pra cima era gordinha
Da cintura pra baixo era magrinha e tinha as unhas roídas
Mas foi por ela que Davi se apaixonou
Davi... Era mesmo um homem lindo
Tinha os olhos pretos e cabelos castanhos
Altura boa e corpo escultural
Mas tinha mau cheiro por debaixo das axilas
E um reflexo fantasioso de si mesmo
Davi vivia num mundo cheio de ilusões
Davi ficou sozinho
E como sua última solução, comprou uma boneca
Daquelas, adultas...
Olhos grandes, boca vermelha e corpo impossivelmente perfeito
Davi gostava de mulheres, mulheres que não existem.
- Juliane França
Meu amigo! Você sumiu!
Faz anos que não te vejo
Nem sei como lhe cumprimentar
Com aperto de mão ou um beijo
Gostei pra caramba
De teu carro importado
Mas me diz aí
Vamos ali comer um salgado?
São deliciosos
Cada um custa R$1,00
A dona é muito simpática
Prometo que não vai passar mal
Meu amigo
Não tenha nojo não
A dona faz com amor
Tu já comeu aqui, irmão!
O que aconteceu contigo
Só porque mudou de cidade
Não é mais meu amigo?
Isso é sacanagem
Ninguém vai roubar teu carro
Nem parece que cresceu aqui
Brincávamos juntos no barro
Agora nem olha pra mim
Não quero saber teu salário
Isso não me interessa
Eu quero que não tenha pressa
Lembra da nossa tradicional pesca?
Tu nem tocou na coxinha
"Não ligue não, Cidinha!"
É que meu amigo tá iludido
Esfregou cédulas nos olhos
E ficou cego
Cagado e cuspido
Os homem da TV
Oh, meu amigo
Quem te viu e quem te vê
Vá lá, cuidar de teu carro
Antes que alguém venha mexer
Tu não é meu amigo
É amigo do dinheiro
Nem falou da tua mulher
Ou será que tá solteiro?
Mas não faz diferença
Só sei que essa doença
Atinge quase o mundo inteiro
- Juliane França.
Minhas mãos passeiam por teu corpo
Enquanto meus olhos deslizam
Em seu rosto
De todos os ângulos
Sua sobrancelha tem a falha
Mais perfeita de todas
Sua bochecha tem uma mancha
A mais linda do mundo
Sua barba falhada
Seu corpo não gordo, não magro
E tampouco malhado
É perfeito aos meus olhos
Perfeito às minhas mãos
Que passeiam por você
Num sábado a noite
Numa segunda de manhã
Tomando um café
Assistindo um filme qualquer
Ou na beira do mar
Em qualquer dia, hora e lugar
Gosto de passear
Gosto de viajar por você
Por mais que eu conheça cada pedacinho...
Mas não viaje por mim
Que me envergonho todinha
- Juliane França.
Mamãe deveria zelar mais por mim
Que com 7 anos
Não tinha força
Muito menos o senso adulto
De diferenciar primeiras, segundas e terceiras intenções
Mamãe me deixou com um vizinho
Um senhor muito simpático
O tio da lojinha
Que era tão bom comigo
Me deixava comer doces e pipocas
Me beijava no rosto
Me abraçava
Arrumava meu vestido
E me chamava de "mocinha linda"
Mas eu não era mocinha
Eu ainda era uma garotinha
Como mamãe sempre dizia
Ainda faltava um tempo
Para eu me tornar "mocinha"
E nem mamãe me chamava de linda
Tanto quanto ele chamava
E foi num dia, comendo muitas pipocas
Que as mãos sujas dele
Foram parar debaixo de meu vestido
Não gostei, quis correr
Quis fugir
Mas tive medo de me perder
Então, lá permaneci
Ele me fez prometer de mindinho
Não contar pra ninguém
E não contei
Pois tive vergonha...
No dia seguinte
Ele colocou as mãos em mim mais uma vez
Dessa vez doeu e ardeu
"Para, Tio!"
Ele tirou a mão imediatamente
Olhou para os lados
Mas não havia ninguém
E novamente me fez prometer...
Não contei para mamãe
Mas mamãe percebeu
Quando reclamei de dor
Mamãe chorou muito, se lamentou
E com algum tempo
A lojinha não abriu mais
Nunca mais o vi
"Mamãe, por favor
Não me deixe mais com nenhum tio!
Cuide de mim!"
Mamãe passou cuidar melhor
Me deixou com uma amiga
Que me cuidou muito bem
Mas jamais esqueci dele
E foi assim que criei nojo
De guloseimas e pipocas
(Fictício)
- Juliane França.
Ônibus da cidade
População pequena
Eu menor de idade
A caminho do Santa Helena
O hospital e maternidade
Grávida de três meses
Barriga não cresceu tanto
Mulher sentada, olhou pra mim duas vezes
Mas nada mais fez que só ficar olhando
Deveria me conhecer de algum lugar
Diferente do sujeito atrás de mim
Que logo veio me abusar
Não estava tão lotado assim
Para em mim ele grudar
Dei logo um empurrão
De nada adiantou
Começou passar a mão
Toda a massa se calou
A tal mulher ficou boquiaberta
Para assistir o abuso
Não pude crer no absurdo
De não estar ali na hora certa
Não desci no meu ponto
Gastei mais dinheiro com passagens
É por aqui que te conto
Foram uma corja de selvagens
Se meu bebê for menino
Vai saber respeitar
E se for menina
Ai de quem tocar!
Pego minha arma debaixo do colchão
E que se dane!
Mas faço justiça com minhas mãos
- Juliane França.
Assinar:
Postagens
(
Atom
)
